“Era difícil olhar para um pedaço de papel em branco e expor tudo que sentia e se lembrava ali. Geralmente, tentamos encolher a história e os acontecimentos para que eles caibam todos ali. Emendamos lá e cá. Pulamos algumas partes, para nos poupar vergonha. Apagamos - às vezes com tanta força, que o papel se rasga. A caneta já não tem a mesma quantidade de tinta e começa a falhar. A história já não faz mais tanto sentido e, aquele pedaço de papel, se torna um grande enredo de palavras tortas e sem sentido. E começamos a desistir. Pouco a pouco a história vai perdendo seu foco, mudando o rumo dos personagens. Os momentos já não são mais tão alegres quanto antes. Tudo de pouco em pouco vai colaborando para nossa desistência. Tudo vai perdendo o interesse até o momento em que largamos a caneta e desistimos. Entregamos a história, as lembranças, o papel e a caneta as traças. Não vai mais haver recordações ou mutilações por aquilo. Tudo recomeçaria a partir daquele momento, instante. Depois com o tempo, é que vamos percebendo que, no meio daquela história remendada havia momentos em que a história mantia uma mesma linha de raciocínio. No meio daqueles dias nublados, chuvosos, havia dias de tempo bom. No meio de tanta coisa remendada de “lá e cá”, havia momentos que faziam você colocar seu melhor sorriso e vagar por aí. Sem um destino certo, apenas vagar. Só pra fazer a saudade perder o rumo e não te encontrar.
“No momento em que a caneta falha.” - William A. (via educado)